Fracassa tentativa de interferência no comando das universidades ~ Ceará da Gente

Fracassa tentativa de interferência no comando das universidades

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recuou da decisão de dar poder ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, para nomear reitores de universidades federais e revogou a medida provisória sobre o tema. A MP autorizava o chefe da Pasta a escolher reitores durante a pandemia de Covid-19.
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Imagem: O Globo
O recuo de Bolsonaro ocorre após uma reação do Congresso contra a medida. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), chegou a devolver a MP para o Governo, sem avisar a Bolsonaro, anulando os efeitos da norma.
Desde 1988, só três MPs havia sido devolvidas pelo Legislativo, nos governos José Sarney, Lula e Dilma Rousseff.
A atitude fez o presidente da República ligar para o presidente do Congresso, ontem (12).
Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, Bolsonaro atendeu a uma sugestão de Alcolumbre ao revogar o texto. Apesar disso, a devolução tinha o poder de cancelar os efeitos da medida.
A medida afetava 25% das universidades, cujos dirigentes têm mandato que se encerra até o fim do ano. Entre as 16 instituições que seriam afetadas este ano estão a Universidade de Brasília (UNB), a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), de São Carlos (UFSCar) e do Paraná (UFPR).
Discordância
Na prática, Weintraub poderia interferir no comando das universidades e institutos federais. A MP que alterava a forma de escolha de reitores de universidades e institutos federais durante a pandemia do novo coronavírus gerou forte reação no meio acadêmico.
A Andifes (associação que reúne os reitores das universidades federais) ameaçou adotar medidas jurídicas necessárias para contestar a MP, "que atenta de forma absurda contra a democracia em nosso País e a autonomia constitucional de nossas universidades".
Mesmo antes de assumir a presidência, Bolsonaro prometia mudanças nas regras para a escolha de reitores das universidades federais, as quais acusa de ser "aparelhadas". Esta foi a segunda MP editada pelo Governo Federal alterando as regras para a nomeação dos dirigentes. Neste ano, ao menos três institutos federais tiveram reitores temporários nomeados pelo Ministério da Educação sem que tenham sido eleitos pela comunidade acadêmica. Os casos ainda tramitam na Justiça.
Derrota
A revogação da MP representa um revés para o ministro da Educação, que está em processo de desgaste desde a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. No encontro, ele ameaçava ministros do Supremo: "Botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF".
Ontem, Weintraub também voltou a se envolver em uma polêmica. Ele publicou em sua conta no Twitter um trecho de quatro segundos de um vídeo no qual o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anuncia parceria com o laboratório chinês Sinovac para produzir vacinas contra a Covid-19.
"Sabem com quem o Gov 'Dória' fez mais um acordinho? Bem docinho!", ironizou Weintraub, comentando o vídeo do governador.
A provocação faz eco a discursos dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais, marcados por grande aversão à China, país que há uma década é o maior parceiro comercial do Brasil.
A publicação de Weintraub não foi a primeira do ministro da Educação com potencial de ofender os chineses. No começo de abril, o ministro ridicularizou o sotaque chinês ao fazer referência ao personagem Cebolinha, dos quadrinhos da Turma da Mônica.
Fonte: DN