Moradores da zona rural de Quixelô reclamam da má distribuição do estoque de merenda escolar ~ Ceará da Gente

Moradores da zona rural de Quixelô reclamam da má distribuição do estoque de merenda escolar

E.E.F. João Pedro de Araújo- Sítio Paus de Leite/ Quixelô

Vários municípios brasileiros estão adotando a medida de distribuírem o estoque de merenda escolar para as famílias de alunos carentes em seus municípios. É uma forma de impedir que os alimentos se estraguem, e também de contribuir com essas famílias nessa fase difícil de enfrentamento ao Coronavírus, onde grande parte da população está mantendo isolamento social ou impedidos de trabalharem.

O município de Quixelô aguardava a sanção presidencial da lei que regulamenta essa distribuição, porém um Decreto da Promotoria do município agilizou essa entrega. Entretanto, com estoque muito limitado, e com poucos itens, decidiu-se montar kits com o que tinha, por não haver quantidade e itens suficientes para compor cestas básicas, conforme explica o Secretário de Educação do município, Vladimir Ribeiro. De acordo com o gestor da pasta, foi feita uma triagem, para beneficiar apenas as famílias extremamente carentes, já que não havia possibilidade de beneficiar a todas.

Insatisfação


Mesmo com a justificativa da gestão, a população da comunidade de Lagoa do Pé da Serra, cujas crianças estudam na E.E.F. João Pedro de Araújo, localizada no Sítio Paus de Leite da Carrancuda, localizado há 45 km da sede do município está insatisfeita, porque foi a única comunidade ligada àquela escola em que nenhuma família foi contemplada com o tal kit.

De acordo com o professor Selmo Uchoa, a distribuição dos kits no município teve início no dia 09 do corrente mês, e o estoque disponível na referida escola beneficiou famílias das comunidades Paus de Leite, Carrancuda e Jurema Branca, porém, ficou de fora a comunidade de Lagoa do Pé da Serra, que segundo o professor, concentra um grande número de famílias muito carentes. 

De acordo com a coordenadora da Escola João Pedro de Araújo, foi difícil montar os kits, porque o estoque tava muito pequeno e muito limitado, e que a distribuição obedeceu o critério do que tinha. Josefa Omídio informou que toda a distribuição foi documentada, e que a entrega foi realizada de forma a não haver aglomerações ou tumulto, na própria escola. "Havia pouquíssima coisa, apenas cinco latas de óleo, nada de carne, o que tinha em maior quantidade era biscoitos", disse a mesma. "Distribuímos tudo que tinha. Até mesmo o sal foi dividido", completou.

O professor Selmo usou as redes sociais, especificamente um grupo de whatsapp da escola para manifestar a sua insatisfação e da comunidade prejudicada. Segundo ele, houve um debate no grupo, onde foi profundamente ofendido pela mãe de um dos seus alunos, Geane Cristóvão, líder comunitária ligada à gestão da prefeita Fátima Gomes. 

Com vinte anos de magistério, bem conceituado na comunidade e profundo conhecedor das comunidades em todo o entorno da escola, onde inclusive já foi diretor no período de 2000 a 2011,  o professor Selmo tem sido uma voz muito presente nas críticas à gestão municipal, bem como na reivindicação do atendimento às demandas e soluções dos problemas das citadas comunidades. 

Após a líder da comunidade, Geane Cristóvão, argumentar no grupo de whatsapp que a Secretaria de Assistência Social do município realizaria a distribuição de cestas básicas para as famílias não contempladas com os produtos do estoque da merenda escolar, o professor Selmo entrou em contato com o coordenador do CRAS de Quixelô, Senhor Edicarlos, que teria informado não haver nenhuma cesta básica destinada especificamente à comunidade de Lagoa do Pé da Serra, e que as respectivas famílias só teriam direito às cestas se fossem carentes e tivessem com o Bolsa Família bloqueado. Edicarlos informou ainda ao professor Selmo que, as famílias que estão dentro do programa seriam beneficiadas com a ajuda emergencial do Governo Federal. Para o professor Selmo, Jeane afirmou algo sem saber, apenas para acalmar os ânimos das famílias insatisfeitas da comunidade em questão.

Para o professor Selmo, apesar de entender que o estoque é limitado e não ser suficiente para todos, deixar todas as famílias de uma comunidade de fora é uma irresponsabilidade, com uma boa dose de maldade. Além disso, o professor argumenta que em muitos municípios, os gestores estão complementando o estoque da merenda escolar, para beneficiar o maior número possível de famílias com os principais ítens de uma cesta básica.