Por unanimidade, Cremec proíbe que "Doutor Assédio" exerça Medicina ~ Ceará da Gente

Por unanimidade, Cremec proíbe que "Doutor Assédio" exerça Medicina

A interdição cautelar tem, de início, prazo de seis meses, podendo ser prorrogada por até mais seis meses, e é válida em todo o Brasil. Há um conselheiro designado para solicitar provas a serem anexadas ao processo.


Imagem: DN
José Hilson de Paiva, médico e prefeito afastado da atual gestão do Município de Uruburetama, agora conhecido como 'Doutor Assédio', começa a sofrer as consequências de ter cometido crimes sexuais durante anos dentro do seu consultório. A impunidade para ele parece ter chegado ao fim. Ontem, o Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) divulgou que o clínico-geral está proibido de exercer a medicina pelos próximos seis meses.
Por decisão unânime e de efeito imediato, o Conselho votou pela interdição cautelar do homem denunciado por abusar sexualmente de pacientes no interior do Ceará. A informação é que José Hilson de Paiva fez, pelo menos, 17 vítimas. Os assédios aconteciam durante consultas com fins ginecológicos e foram filmados pelo próprio médico sem que as mulheres percebessem. Nessa segunda-feira (15), vereadores de Uruburetama já haviam decidido por afastar o prefeito e o PCdoB pela expulsão dele do partido político.
Ontem, durante coletiva de imprensa, o Cremec comunicou que José Hilson de Paiva não pode atuar como médico em nenhuma localidade do Brasil. O edital com a decisão foi encaminhado para publicação no Diário Oficial da União e às outras autoridades competentes, como o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Durante a manhã, um colaborador do Cremec foi até Uruburetama para entregar pessoalmente ao médico o documento com a decisão. José Hilson não foi encontrado na sua residência, mas uma mulher, não identificada, atendeu o chamado do representante do Conselho e recebeu a ordem. Mesmo Hilson não tendo recebido em mãos, o Cremec diz que o prazo já começou a ser contabilizado.
O presidente do Conselho Regional de Medicina, Helvécio Neves Feitosa, afirmou durante a coletiva que nos autos constam elementos de provas que evidenciam a probabilidade da autoria dos crimes por parte do prefeito. Helvécio pondera que a obrigação do Cremec é investigar as denúncias, principalmente quando os fatos têm ampla repercussão na mídia.
"O Cremec, além das suas funções normativas, tem sua função de defesa da sociedade contra a má prática médica. Neste sentido, quando nós tomamos conhecimento de procedimento que vão de encontro à ética médica tomamos as medidas cabíveis. Via de regra, tudo aqui começa com uma sindicância e uma apuração preliminar dos fatos que indicam transgressão. Esta é uma medida, relativamente, de exceção, porque, nesse caso, a gente avalia a gravidade. É diferente de um caso isolado, que só aconteceu uma vez", afirmou Feitosa.
Passo a passo
As denúncias dos crimes sexuais por parte do médico não são recentes. Há relatos de quem foi vítima de José Hilson de Paiva há quase 25 anos e quem já tinha comunicado às autoridades sobre o que acontecia no 'consultório do horror'. Em abril do ano passado, um grupo de mulheres já pedia por Justiça. Quando questionado o porquê do médico e prefeito já não ter sido afastado da medicina, o presidente do Cremec pontuou que a repercussão de 'novos fatos' deu força ao processo já aberto por eles.
"Às vezes, a gente vê as coisas, mas não é muito fácil provar. Os processos são sigilosos e isso é por determinação legal. Não podemos emitir juízos de valores sem apurar os fatos. É constitucional e legal a ampla defesa. Também temos o direito de produzir as provas que conseguirmos produzir", explicou o presidente.
Segundo o Conselho Regional, agora, há um conselheiro designado para solicitar as provas que achar conveniente. Ao término dos primeiros seis meses de interdição cautelar, o Cremec pode manter o médico afastado por outros seis meses: "o que a gente espera é que ao final desse um ano já tenhamos alguma decisão", acrescentou Helvécio.

Fonte: DN